Nestlé, Danone e Mars já reciclavam embalagens “irrecicláveis” antes de o governo tornar isso obrigatório

Nestlé, Danone, Mars e Cargill reciclam embalagens consideradas irrecicláveis pelo mercado convencional há quatro anos, antes de o governo federal tornar essa prática obrigatória. As operações são estruturadas pela Yattó, empresa que atua como infraestrutura de economia circular para grandes marcas e que, desde 2021, organiza cadeias de logística reversa para materiais que a reciclagem tradicional historicamente não absorve.

Em dez anos de atuação no mercado, a Yattó acumula mais de 35 marcas atendidas e 24 projetos ativos, com 11 categorias de resíduos em processo: embalagens flexíveis, latas e baldes de tinta, poliestireno, cápsulas de café, ráfia, óleo de cozinha usado, embalagens de óleo lubrificante, PEBD, elementos filtrantes, EPIs e paletes de madeira. O escopo cobre desde embalagens de consumo até resíduos industriais e do agronegócio.

O modelo converte materiais sem saída no mercado convencional em produtos com destinação verificada: embalagens flexíveis multicamada da Nestlé e da Mars viram madeira plástica; copos de poliestireno da Danone retornam como chapas para ponto de venda; óleos de cozinha coletados em parceria com a Cargill são processados em biodiesel para frotas de transporte. Ráfias de big bags do agronegócio, em projeto com Zaraplast e Mãe Terra, tornam-se mochilas para a marca de surf Atero. Cápsulas de café de Dolce Gusto e Nespresso, cosméticos do Grupo Boticário e resíduos de tinta da Suvinil também integram os fluxos operados pela empresa.

“O problema das embalagens complexas nunca foi técnico. Sempre foi organização de cadeia. Quando uma marca decide fechar o ciclo dos seus resíduos e investe na estrutura para isso, o material que antes ia para o aterro passa a ter valor e destinação”, afirma Luiz Grilo, Diretor Institucional e de Novos Negócios da Yattó.

Cada fluxo é registrado via plataforma própria (Ynsight), que documenta a jornada do resíduo do ponto de coleta ao produto final e gera dados para relatórios de sustentabilidade e auditorias de conteúdo reciclado. Para as marcas, os resíduos podem reentrar no próprio processo produtivo como resina pós-consumo (PCR) rastreada e auditável via Ynsight, reduzindo a dependência de matéria-prima virgem.

Para cooperativas de catadores, a organização dessas cadeias representa um avanço concreto: cria fluxo regular de materiais com valorização estável para um segmento sob pressão crescente pela desvalorização de recicláveis convencionais. Cada tonelada processada significa renda previsível para quem coleta e um material a menos em aterros sanitários.

O avanço regulatório converge com o que essas empresas já praticam. O decreto federal que instituiu o Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Plástico, publicado pelo Ministério do Meio Ambiente em outubro de 2024, estabelece meta obrigatória de 32% de coleta e reciclagem para 2026, chegando a 50% até 2040. Para as marcas que já operam com a Yattó, a regulação confirma uma trajetória que anteciparam antes de qualquer exigência legal.

“Marcas que começaram conosco há quatro anos já têm operações maduras, com volume, rastreabilidade e produto final. O que muda a equação ambiental não é a intenção: é a operação funcionando”, diz Grilo.

Fonte: Amazonas Comunicação Foto: divulgação

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