A ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis) reitera o papel estratégico da sua Comissão Técnica e de Assuntos Regulatórios (COTAR), que atua de forma ininterrupta desde a fundação da entidade, em 2020. Com relevância e competência técnica consolidadas ao longo dos últimos anos, a comissão intensifica agora os seus trabalhos para analisar os impactos operacionais e económicos das Consultas Públicas da Anvisa nº 1.357/2025 (Rotulagem) e nº 1.362/2025 (Boas Práticas na Cadeia Produtiva de Alimentos), garantindo que a modernização regulatória seja acompanhada de viabilidade técnica para a indústria e segurança para o consumidor.
A participação da associação visa garantir que a modernização regulatória seja acompanhada de viabilidade técnica e financeira, evitando sobressaltos na cadeia de suprimentos e no custo final ao consumidor.
Desafios: embalagens reduzidas e nova definição de açúcares
Um dos pontos de maior atenção para o setor de varejo e food service é a padronização visual em embalagens de área reduzida, como as de picolés (superfície igual ou inferior a 15 cm²). As novas exigências de contraste, fontes sem serifa e tamanhos mínimos de fonte impõem um desafio de design e engenharia de embalagem.
Para Kërley Torres, coordenadora da comissão, a questão é operacional: “Estamos avaliando soluções técnicas para garantir a legibilidade sem inviabilizar o layout de produtos pequenos. Mudanças gráficas em larga escala geram custos de transição, descarte de estoques de embalagens e necessidade de novos equipamentos de impressão na linha de produção. Nosso papel é colaborar com a Anvisa para que esse cronograma de adaptação seja factível para a indústria”, explica.
Outro pilar crítico para o setor de negócios é a nova definição de açúcares adicionados. Pela proposta, sucos concentrados, polpas e purês de frutas passam a compor a contagem de açúcares, o que pode alterar a classificação nutricional de diversos SKUs. “Essa mudança atinge diretamente o P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) das empresas. Muitas receitas que utilizam a fruta como base podem precisar de reformulação para evitar selos de advertência que não condizem com a proposta de saudabilidade do produto. Isso gera um custo de desenvolvimento e testes laboratoriais que precisa ser mapeado pelo setor”, pontua Kërley.
No campo da CP nº 1.362/2025, que revisa os requisitos higiênico-sanitários específicos para produtores e fabricantes de alimentos, a ABRASORVETE enxerga uma oportunidade de elevar o padrão de governança das fábricas. A migração para um Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos mais robusto, com foco em rastreabilidade e controle de alergênicos, é vista como um investimento em competitividade. “A segurança dos alimentos deixa de ser uma obrigação formal para se consolidar como um eixo de gestão de risco. Para o varejista, isso significa maior segurança jurídica e confiança no que chega à gôndola. Nossa comissão atua para que essa transição, que exige capacitação contínua e novos processos documentais, seja implementada de forma sustentável por empresas de todos os portes”, conclui.
A ABRASORVETE segue consolidando as contribuições técnicas das indústrias associadas, reafirmando seu papel de interlocutora estratégica para garantir um ambiente de negócios moderno, seguro e economicamente viável.
Fonte: Mali Content e foto: divulgação