Os dados do mercado de embalagens PET em 2025 mostram que o setor manteve o patamar de mercado registrado no ano anterior, com produção de 807 mil toneladas de resina virgem. O resultado é considerado positivo pela Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET), considerando principalmente o crescimento de 11,25% que já havia sido registrado em 2024 e a baixa atividade econômica no período. Com esse nível de produção, o setor fechou o ano passado com um faturamento de R$ 10,3 bilhões, apesar da queda média de 10% dos preços da commoditie praticados no mercado internacional.
De acordo com o presidente executivo da ABIPET, Auri Marçon, com a hegemonia consolidada em segmentos tradicionais como água, refrigerante e óleo comestível, os fabricantes de embalagens PET miram agora maior crescimento em setores como sucos naturais, lácteos, home e personal care. “Apesar da queda da atividade econômica e a indicação de baixo crescimento do PIB per capita para 2026, o setor ainda espera impacto positivo diante de eventos como Copa do Mundo, grande número de feriados e eleições, além do consumo de bebidas puxado pelos períodos mais quentes do ano”, afirma.
Historicamente, o uso doméstico de resina PET virgem cresceu 216% desde 2000, quando o País consumiu 255 mil toneladas do produto. Pesam a favor desse desempenho as características do material, que são valorizadas pelos consumidores e pelas empresas usuárias da embalagem: a transparência, que mostra a qualidade dos produtos envasados; a leveza, que agrega eficiência no transporte; a alta resistência, que amplia a possibilidade de usos/aplicações; produtividade e preços competitivos, que permitem o uso em grande escala e abrem mercado. De acordo com informações do varejo, a embalagem PET fechou 2025 com uma participação hegemônica nos segmentos de água mineral e óleo comestível, cujo posicionamento é superior a 95% do mercado. No caso dos refrigerantes, com diversidade maior de opções de embalagem, a presença do PET é superior a 70%.
Já no mercado de alimentos, a presença segue em crescimento, como é o caso do segmento de maionese, que num passado recente era quase 100% vidro. Atualmente, a presença da embalagem PET já ultrapassa os 45%, registrando altas seguidas nos últimos anos. Outro setor com presença massiva do PET é o de catchup. Em 2025, mais de 70% desses produtos eram embalados em PET, segmento que tem sustentado crescimento de mais de 1,5% nos últimos anos.
A desafiadora realidade da ‘Economia Circular” para os materiais reciclados
Desafios que vão da coleta seletiva limitada aos preços internacionais da resina PET virgem
O uso do PET reciclado também registrou forte crescimento nos últimos anos. Em 2024, a indústria recicladora atingiu a marca de 410 mil toneladas, que correspondem a cerca de 54% das embalagens descartadas pela população. Esse resultado consolidou a marca de 512% de aumento na produção da resina reciclada entre os anos de 2000 e 2024, puxado pela valorização da sustentabilidade e pela importante evolução da tecnologia empregada nos processos de reciclagem.
Com isso, o PET passou a ser o único material plástico reciclado homologado pela ANVISA para contato com alimento. Esse nível de qualidade reforçou a circularidade do material: 34% de todo o volume reciclado já é utilizado na fabricação de uma nova embalagem. O restante (66%) é aplicado nos segmentos têxteis, químicos, construção civil e outros.
O ano de 2025, no entanto, foi de sinalizações importantes para esse segmento. A resina reciclada, que no início do ciclo histórico era comercializada a 70% do valor da virgem, inverteu a tendência e alcançou um preço superior. Esse movimento foi provocado pela queda da matéria-prima virgem no mercado internacional, hoje comparativamente inferior à reciclada, que mantém os seus custos fixos com a coleta (que permanece deficitária), triagem, logística e do custo industrial da reciclagem.
“Essa situação pode ser absorvida por períodos curtos, mas acabam impactando negativamente alguns projetos de ESG quando perduram por vários meses. Atualmente, existe a possibilidade de optar tanto pela resina virgem quanto pela reciclada, com a mesma qualidade. A escolha acaba sendo feita por aquela que apresenta o preço mais baixo no mercado”, destaca o presidente executivo da ABIPET.
Além disso, lembra Marçon, há uma deficiência histórica dos sistemas públicos de coleta seletiva, que limitam o abastecimento ou encarecem muito o material pós-consumo coletado, usado como matéria-prima pelos recicladores. Em alguns meses do ano as empresas trabalham com até 40% de ociosidade e até interrompem as suas linhas de produção. “Essa situação gera um cenário em que a grande demanda pelo material reciclado fica muito acima e não pode ser atendida por falta de acesso à matéria-prima, o que também impacta no preço final da resina reciclada”, afirma.
Embalagem PET atende a metas do Decreto da Logística Reversa das Embalagens Plásticas
Com índice de reciclagem elevado, a circularidade na fabricação de novas embalagens e com demanda crescente pelo material reciclado, o PET tem posição estratégica diante das metas estabelecidas pelo novo Decreto da Logística Reversa das Embalagens Plásticas (n.º 12.688/2025). Diante das novas exigências, as empresas fabricantes de produtos (usuárias de embalagens) deverão cumprir as metas para recuperação e de incorporação do conteúdo reciclado em suas embalagens.
Nesse sentido, Marçon avalia dois cenários que podem impactar o setor do PET e outros materiais de embalagem:
Preço atrativo do material reciclado: tanto as grandes marcas como pequenos atores do mercado de bebidas, alimentos e outros irão superar as metas de conteúdo reciclado definas do Decreto, fazendo a demanda do reciclado crescer, incrementando o volume de faturamento dos catadores e cooperativas.
Reciclado supervalorizado: o histórico mostrou que sobrepreços acima de 10% ou 15% em relação à resina virgem levam ao desestímulo, reduzindo a demanda pelo reciclado e, consequentemente, a coleta e a renda dos catadores. No caso do PET reciclado, as variações indesejadas no preço podem ser minimizadas por ações em duas frentes:
Aumento da coleta: e, portanto, da oferta de material pós-consumo para reciclagem (hoje no Brasil a coleta seletiva é deficiente). Estímulo à demanda: através de benefícios às empresas que ultrapassam as metas mínimas estipuladas pelo novo Decreto.
“Em geral, os projetos ESG, como é a reciclagem de PET e as atividades de catadores e cooperativas, podem ter mais sucesso quando inseridos na realidade das atividades privadas, com economia de mercado. Coleta seletiva ampla em todo território nacional, associada à atividade de triagem realizada pelas cooperativas de catadores, pode ser uma ótima solução para o Brasil”, aponta Auri Marçon.
Avaliação do futuro do mercado indica desafios
Como desafio adicional para este ano, o presidente executivo da ABIPET acrescenta a instabilidade de preços influenciados pelos conflitos no Irã, que atinge diretamente os derivados de petróleo. “Associada às oscilações de preços de fretes, forma um cenário incerto, onde administrar o custo do “pipeline” de matérias-primas e os estoques ao longo da cadeia produtiva pode ser vital para o negócio. O equilíbrio nesse momento de instabilidade será essencial para a tomada de decisão”, conclui.
Fonte: Oboé Comunicação e foto: divulgação